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ELEIÇÕES 2026O Rio Grande do Sul saiu das urnas de 4 de outubro com uma reconfiguração política que vai além da eleição para o Palácio Pirat - ini. Luciano Zucco (PL) foi eleito governador no primeiro turno com 3.516.048 votos, equivalentes a 58,05% dos votos válidos, tendo Silvana Covatti (PP) como vice. Juliana Brizola (PDT) ficou em segundo lugar, com 31,65%, e Gabriel Souza (MDB), em terceiro, com 8,43%. A mudança também alcança o Legislativo: o PL passa a ocupar 12 das 55 cadeiras da Assembleia Legislativa e forma a maior bancada individual, enquanto na Câmara dos Deputados terá oito dos 31 representantes gaúchos. No Senado, Ubiratan Sanderson (PL) e Marcel Van Hattem (Novo) conquistaram as duas vagas em disputa e, a partir de 2027, dividirão a representação do Estado com Hamilton Mourão (Republicanos).
A fotografia das bancadas ajuda a dimensionar a nova correlação de forças. Na Assembleia, PT terá nove cadeiras, PP sete, MDB e PSD cinco cada, Republicanos e PDT quatro cada, PSOL três, Podemos duas, e União Brasil, Novo, PCdoB e PSDB uma cadeira cada, conforme a consolidação utilizada no dossiê. Os partidos que integraram a coligação de Zucco somam 27 deputados estaduais, apenas uma cadeira abaixo dos 28 votos que representam a maioria absoluta, mas essa conta não significa base automática: a governabilidade dependerá da composição do secretariado, das lideranças, da Mesa Diretora, das comissões e do comportamento das bancadas em cada votação. Nesse cenário, MDB e PSD, com cinco deputados cada, e o PDT, com quatro, ganham peso nas negociações, enquanto o PL registra a maior expansão em relação a 2022 e o PSD também cresce de forma expressiva.
A radiografia territorial mostra que a eleição terá efeitos diferentes conforme as prioridades de cada parte do Estado. No Litoral Norte, a agenda tende a pressionar o novo governo por mobilidade, ERS-389/Estrada do Mar, saneamento, turismo, habitação e expansão urbana; na Serra, indústria, logística, turismo e infraestrutura permanecem no centro da relação com o Piratini; na Costa Doce e na Metade Sul, agricultura, saúde, estradas, municipalismo e desenvolvimento regional ganham peso; na Campanha e na Fronteira Oeste, logística, produção agropecuária, integração territorial e serviços públicos formam um eixo natural de cobrança; nas Missões, Noroeste e Alto Uruguai, agricultura, agroindústria, saúde regional, rodovias e conexão dos municípios com os grandes centros estarão entre os temas capazes de medir a presença efetiva do Estado; e, na Região Central e nos Vales do Taquari e Rio Pardo, reconstrução, infraestrutura, prevenção de eventos extremos, logística, educação e atividade produtiva deverão disputar espaço na agenda de investimentos.
Porto Alegre, Região Metropolitana, Vale dos Sinos e Paranhana concentram outra frente decisiva, marcada por mobilidade, segurança, saneamento, habitação, indústria, serviços públicos, integração metropolitana e recuperação da infraestrutura. A eleição, portanto, não pode ser lida apenas pela divisão partidária da Assembleia: o teste político será a capacidade de transformar representação em entregas territoriais. O próprio mapa regional exige cautela, porque local de nascimento, residência, votação e atuação parlamentar não são sinônimos; por isso, a leitura mais consistente para 2027 será acompanhar território, pauta e ação concreta, cruzando emendas, convênios, obras, orçamento e participação de deputados estaduais, federais e senadores na defesa de cada região. A nova bancada federal terá 34 integrantes entre Câmara e Senado, e partidos que estiveram na coligação estadual de Zucco reúnem 18 dos 31 deputados federais e as três cadeiras senatoriais, uma soma política relevante, embora não constitua bloco formal.
O resultado abre, assim, uma nova etapa para a política gaúcha: o PL passa a comandar o Executivo estadual e a maior bancada individual da Assembleia e da representação do RS na Câmara, mas o poder real será medido pela construção de maioria, pela ocupação das comissões, pela articulação com Brasília e pela distribuição regional dos investimentos. O segundo turno presidencial, marcado para 25 de outubro, acrescenta uma variável decisiva à relação federativa que começará em 2027. Para municípios, setor produtivo, construção civil, mercado imobiliário e lideranças regionais, a principal pergunta deixa de ser apenas quem venceu a eleição e passa a ser onde estarão os centros de decisão, quais regiões conseguirão transformar representação em orçamento e quais projetos sairão do discurso para a execução. Os primeiros 100 dias do novo governo deverão oferecer os sinais mais concretos dessa nova geografia do poder no Rio Grande do Sul.

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